
Rumo ao XVI Congresso Eucarístico Nacional
Brasília, 13 a 16 de maio de 2010
Tema: Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários.
Lema: Fica conosco, Senhor!”(Lc 24,29)
Curso de Extensão
Estudo do Texto-Base do XVI Congresso Eucarístico Nacional*
*Curso de nº 5, na lista dos Cursos de Extensão.
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Artigos
.Eucaristia, Fonte de Reconciliação
.O Verbo Encarnado é o Pão da Unidade
Eucaristia, Fonte de Reconciliação
Dom João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
A experiência da Eucaristia vivida na participação diária ou semanal da Santa Missa e, onde não é possível, na celebração da Palavra coma distribuição da sagrada comunhão, constrói nos discípulos de Jesus uma ânsia sempre mais profunda de resposta ao amor de Deus e de compromisso de amor com os irmãos e as irmãs.
A intimidade pessoal com o Senhor, alimentada ao longo da vida pelo "mistério da fé", em meio a dificuldades, vitórias, tentações e, por vezes, experimentando a dor da infidelidade, faz-nos sensíveis a um outro sacramento, que é expressão da misericórdia sem limites oferecida pelo Senhor aos que nele buscam salvação: o sacramento da reconciliação ou da penitência, ou ainda, a confissão sacramental.
O Senhor providenciou para que seus discípulos-padres tivessem o seu poder de perdoar os pecados. Eles são verdadeiramente ministros da reconciliação. Aqueles que sabem terem rompido gravemente a comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs, devem buscar a confissão para poderem voltar ao banquete eucarístico.
A nós sacerdotes a Igreja pede ser sinais autênticos da misericórdia de Deus, dispondo-nos generosamente ao atendimento das confissões individuais e evitando as confissões e absolvições coletivas, que esvaziam a certeza do perdão e massificam a experiência do amor pessoal de Deus.
O sacramento da reconciliação, diz João Paulo II, apresenta-se como um dos percursos privilegiados desta pedagogia da pessoa. Aqui o Bom Pastor, através do rosto e da voz do sacerdote, aproxima-se de cada um, iniciando um diálogo pessoal feito de escuta, conselho, conforto, perdão. O amor de Deus é tal que, sem faltar aos outros, consegue concentrar-se sobre cada um. Quem recebe a absolvição sacramental deve poder sentir o calor dessa solicitude pessoal. Deve experimentar a intensidade do abraço paterno dado ao filho pródigo: "[O pai] correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos" (Lc 15,20).
Deve poder ouvir aquela voz timbrada de amizade que o publicano Zaqueu escutou, chamando-o pelo nome a uma vida nova (cf Lc 19,5) (Carta aos Sacerdotes, 2002,9).
07-mar-10
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, NN. 53.54-55
Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.
Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher "eucarística" na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.
Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: "Fazei isto em memória de Mim", ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2,5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: "Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pode mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim "pão de vida"".
De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo em que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada fiel quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor.
Existe, pois, uma profunda analogia entre o o Faça-se pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia "por obra do Espírito Santo" era o "Filho de Deus" (cf. LC 1,30-35). Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino.
"Feliz d'Aquela que acreditou" (Lc 1,45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre e o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de "sacrário" - o primeiro "sacrário" da história -, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que "irradiando" a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?
07-fev-10
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
O Verbo Encarnado é o Pão da Unidade
Pe. Jeová Elias Ferreira
"E o verbo se fez carne, e habitou entre nós" (Jo 1,14).
Vivemos nestes dias a alegria da encarnação de Deus. A feliz notícia levada aos pastores ressoa também aos nossos ouvidos: "hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um salvador, que é o Messias, o Senhor" (Lc 2,11). Deus faz-se humano, entra na nossa história, agora fala-nos diretamente. "Já não é o Deus distante, que, através da criação e por meio da consciência, se pode de algum modo intuir de longe. Ele entrou no mundo" (Papa Bento XVI).
Aquele que pela ação do Espírito Santo se dez carne no seio de Maria, também, pela ação do Espírito Santo, faz-se presente no pão consagrado sobre o altar. Ele é, como nos sugere o tema do XVI CEN, "Pão da Unidade dos Discípulos Missionários". "Ele, vindo a nós, se revela fonte de unidade para a vida de todo ser humano" (texto base p.7). Nele cai o muro de separação entre os povos (cf. Ef 2,14).
Deus criou nossos primeiros pais para viverem em comunhão e unidade. Contudo, eles romperam com o projeto de Deus e, marcados pelo egoísmo, dividiram-se. Assim, a divisão está presente no coração humano desde as nossas origens. A História da salvação no coração humano desde as nossas origens. A História da Salvação relatada pela Bíblia é marcada pela insistência de Deus em amar o seu povo, mas também pela divisão entre as pessoas e instituições; Adão e Eva, Caim e Abel, José e seus irmãos, os filhos de Israel, são exemplos de divisão.
As rupturas estão presentes nos relacionamentos interpessoais, nas comunidades cristãs, nos grupos da sociedade, entre povos e nações. Elas refletem o drama da divisão presente no interior do ser humano.
O ser humano, ápice da criação, também deve viver em harmonia com todos os seres que vivem na terra, no ar e nas águas. "Pode-se, portanto, esperar do homem uma reflexão e uma postura éticas sobre a festão dos bens criados em vista da preservação e melhoria de condições de vida na terra" (texto base p.28).
Vivemos uma preocupação atual com o aquecimento global, fruto do desenvolvimento sem freio que emite 40 bilhões de toneladas de gases poluentes por ano no planeta, produzidas pela queima de combustíveis e destruição da natureza.A possibilidade real de um aquecimento superior a dois graus Celsius seria devastador: traria o desaparecimento de muitas cidades litorâneas, milhões de mortes, doenças e desertificações.
Movidos por esta preocupação, 192 países participaram recentemente da conferência de Copenhague, onde discutiram sobre o efeito estufa, e deveriam estabelecer metas para que o aquecimento global não ultrapassasse 2°C até o fim do século. Contudo, falou mais alto o egoísmo humano e a sede de lucro. Aquele encontro que traria um comprometimento com a vida planetária,trouxe frustração.
Jesus, o Emanuel, é o Cordeiro de Deus que vem a este mundo marcado pela discórdia, para retirar a divisão. Para isto faz-se fraco com os fracos, indo ao limite da ruptura da existência humana: a morte.
Como discípulos missionários e alimentados pelo pão da unidade, "devemos denunciar quem dilapida as riquezas da terra, provocando desigualdade que bradam ao céu" (Sacramentum Caritatis n.90).
"As comunidades eucarísticas são como uma nova aurora para o mundo, pelo que fazem, pelo que são e, sobretudo, por Aquele que nelas vive: o Príncipe da paz. Reconhecemos em Jesus Eucarístico o menino que nasceu, conforme o profeta Isaías, cujo reino está consolidado sobre o direito e a justiça, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim" (texto base p. 70).
03-jan-10
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
Pe. Placimario Ferreira
Membro da Comissão Teológica do XVI CEN
O XVI Congresso Eucarístico Nacional está chegando! Somos convidados a nos preparar para a sua realização principalmente pela oração, porque, sem Cristo, nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5). Para tanto, foi elaborada uma Oração do XVI Congresso Eucarístico Nacional, rica de imagens bíblicas e de alusões à vida concreta de todo discípulo missionário de Jesus Cristo. Gostaria de apresentar brevemente alguns dados sobre o texto dessa Oração.
Antes de tudo, vale a pena perceber a estrutura do seu texto. Ela foi elaborada a partir de dois textos evangélicos: o relato dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) e a afirmação de Jesus, durante a última Ceia: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6). Essas passagens bíblicas exercem o papel de moldura de cada uma das quatro estrofes da Oração: cada qual começa com uma parte da afirmação de Jesus (Caminho, Verdade e Vida) e termina com a súplica dirigida pelos discípulos ao misterioso Companheiro de viagem (Fica conosco, Senhor).
Tu és o Caminho. Na primeira estrofe, delineia-se o drama existencial de toda pessoa humana. O confronto entre bem e mal, entre sombras e luzes, alegrias e esperanças, tristezas e angústias que desafiam fortemente a nossa fé cristã. A nossa vida é considerada a partir da figura da peregrinação, da viagem, do caminho. Jesus Cristo nos leva ao Pai porque Ele é o Caminho, o Mediador e o Pastor. No fim da estrofe, clamamos-Lhe que não nos deixe caminhar sozinhos. Aqui está o grande risco: caminhar sem Cristo. Queremos viver por Cristo, com Cristo e em Cristo. Ou seja: pelo Caminho, com o Caminho e no Caminho.
Tu és a Verdade. Na segunda estrofe, o discípulo de Cristo é aquele que procura veementemente a Verdade, o sentido profundo da realidade. Dois pedidos abrem a estrofe: Desperta as nossas mentes e faze arder nossos corações. Reconhecemos que nossas mentes estão adormecidas e quase cegas: cheias de ideias pagãs e critérios relativistas. Constatamos que os nossos corações - sede de decisões e paixões - estão mornos ou frios. Quanta falta de amor e carinho para com Deus e com os irmãos! E pedimos que tal despertar e novo ardor surja por meio da ação poderosa da Palavra de Deus. Queremos sentir a beleza da Fé, a beleza de Cristo, que, na Eucaristia, eleva-nos à sua beleza e nos torna belos e santos.
Tu és a Vida. Na penúltima estrofe, como aqueles discípulos de Emaús, queremos fazer a experiência da fé: olhos abertos para reconhecermos a presença real de Jesus Cristo no Sacramento da Eucaristia. Em seguida, pedimos que a Eucaristia produza em nós os seus frutos: alimentar-nos e gerar a unidade da Igreja; sustentar-nos em nossas fraquezas; consolar-nos em nossos sofrimentos; e tornar-nos solidários com os irmãos mais fracos.
Na última estrofe, destacamos a força da ação do Espírito Santo - Espírito de Cristo e Espírito da Unidade. Além disso, sabemos que ser discípulo missionário é fruto da ação de Deus em nós. Logo em seguida, a Virgem Aparecida, Mãe de Deus e nossa, a humilde serva do Senhor que nos ajuda a ser verdadeiros discípulos missionários de seu Filho: com a alegria no Caminho, como corajosas testemunhas da Verdade e promotores da Vida.
Essa Oração do XVI Congresso Eucarístico Nacional revela a beleza de ser discípulo de Cristo e de confiar na sua Presença eficaz. Em maio de 2010, temos um encontro marcado em Brasília. Como em Emaús, não será um encontro passageiro, mas duradouro. De todas as partes do Brasil virão discípulos para escutar a Sua Palavra, para partir o Pão e para testemunhar a verdadeira Unidade que nos leva a suplicar: Fica conosco, Senhor!
06-dez-09
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
Pe. Gustavo Haas
Assessor de Liturgia da CNBB
O que é liturgia? Segundo um dicionário da Língua Portuguesa, liturgia é:"complexo de cerimônias eclesiásticas; rito". Mas, se formos analisar etimologicamente a palavra, descobriremos que a palavra liturgia significa: "ação, serviço que se presta ao povo, ao público, à coletividade, àcomunidade, serviço público, serviço fraterno". E ai já vemos que ela é bem mais do que pura e simplesmente "rito" ou "cerimônia eclesiástica". É servir. É serviço. Liturgo é aquele que serve, que ama, que se doa pelo bem dos demais...
O povo de Israel foi libertado do Egito não para fazer cerimônias no deserto, mas para escutar a voz de Deus, isto é, aprende a fazer como Deus faz (=amar!) e ser fiel ao seu amor. Deus chamou o ser humano para cultivar
(culto!) aquilo que Deus é: amor, serviço, doação, liturgia. Esta é a vocação do
homem: ser liturgo (=serviçal!). E só assim que o homem será feliz, realizado, porque só assim o
homem se fará "homem de Deus" (cf. Jr 7,23).
Não foi isso que Jesus Cristo fez? Ao máximo! Radicalmente! Jesus se doou totalmente.
Fazendo em tudo a vontade do Pai, serviu até o fim ao ser humano. E o máximo de seu serviço (liturgia) ao Pai e ao
Homem se dá na Cruz, onde realmente acontece a máxima entrega. Ofereceu assim um "único sacrifício",
um único culto agradável ao Pai, o único culto (serviço) que foi capaz de ligar novamente o Homem com Deus (cf. Hb 10,4-14).
Qual é o verdadeiro culto/liturgia para S. Paulo? "Que apresenteis vossos corpos como
hóstia viva, santa e agradável a Deus" (Rm 12,1-2), Aliás, na própia Prece Eucarística nós rezamos: "Que ele faça de nós uma oferenda perfeita..." (Oração Eucarística III). Ou: "que... nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo..."(Oração Eucarística IV).
Ora, a vocação religiosa é doação de si a serviço da comunidade humana. Ninguém torna-se religioso para si! "Oferenda perfeita". "Sacrifício vivo". Liturgia viva! Vocação religiosa: possibilidade da máxima vivência litúrgica! Culto realmente agradável ao Pai. Destes adoradores é que o Pai quer... Aos padres, diz o Papa Bento XVI: "os sacerdotes tenham consciência de que, em todo o seu ministério,nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opiniões, mas Jesus Cristo"(Sacramentum Caritatis,23).
Estamos na preparação para o XVI Congresso Eucarístico Nacional que será
realizado nos dias 13 a 16 de maio de 2010 em nossa Arquidiocese. O que essa reflexão tem a ver com a Eucaristia? O que é a Missa, afinal? Ela não é pura e simplesmente "cerimônia", "rito". Ela, no rito, é muito mais: é presença do Liturgo Cristo."
"Fazei isto em memória de mim", pediu Jesus. "Isto" o quê? Este rito! Que rito? Esta ceia! Este pão e este vinho! Aí proclamareis a minha presença viva doando-me como "Pão que alimenta e que dá vida" e como "Vinho que...salva e dá coragem".
Portanto a Missa é o lugar da presença máxima da vocação do homem realizada em Cristo como doação-serviço-liturgia (=Redenção/Libertação). Consequentemente é na Liturgia eucarística (serviço atual de Cristo ao homem) que a nossa vocação cristã (litúrgica) encontra sua máxima expressão... É ali que sempre de novo a liturgia do homem se encontra com a Liturgia de Deus. A vocação do homem se encontra com o chamado salvífico de Deus proclamando ao mundo que a morte foi vencida pela Vida!
02-ago-09
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
Dom João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
O Livro de Gênesis nos mostra a figura de Melquisedec, rei e sacerdote.
Nós olhamos para este personagem singular, a partir de nosso econtro com Jesus Cristo. Entre Melquisedec e Jesus há uma distância de tempo de 2.000 anos.
Melquisedec é um personagem original, diferente, que aparece no Livro de Gênesis de modo breve e misterioso.
É rei de Jerusalém, segundo a tradição judaica e muitos dos Padres da Igreja. A Carta aos Hebreus liga
a figura de Melquisedec ao sacerdócio de Jesus Cristo. Ele não oferece sacrifícios de animais, como faziam os
sacerdotes do Antigo Testamento, mas oferece pão e vinho, como fez Jesus na última ceia. Ele é maior que Abraão, o pai de todo o povo hebreu, pois este lhe oferece o dízimo. Desse modo podemos ver na figura de Melquisedec a figura de Jesus Cristo.
Nele se preanuncia misteriosamente o sacrifício de Jesus, antecipado na última ceia pela celebração da Eucaristia.
O apóstolo Paulo não esteve presente na última ceia, como os 12 apóstolos, de quem recebemos o testemunho ocular deste acontecimento, vivido por eles ao lado de Jesus. Mas é Paulo quem nos oferece o testemunho escrito mais antigo sobre a Santíssima Eucaristia: "O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: na noite em que foi entregue o Senhor Jesus tomou o pão, e depois de dar graça, partiu-o e disse:"isto é meu corpo, que é dado por vós. Fazei iso em minha memória". Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse:"este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória." Todas as vezes de fato que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11, 23-26).
Na quinta-feira santa nós revivemos todos os anos, dentro das celebrações da Semana Santa, o momento em que Jesus instituiu o Sacramento da Eucaristia. Isto aconteceu dentro de uma ceia, acompanhada do significativo gesto do lava-pés e do mandamento novo, que Jesus chamou "o seu mandamento". Na Solenidade de Corpus Christi, desde o século XIII, a Igreja, cheia de alegria e gratidão, celebra a Eucaristia em praça pública e a leva pelas ruas da cidade.
Há cinqüenta anos, no dia 03 de maio de 1957, foi plantada a cruz de Cristo no lugar onde se iniciava a construção de nossa capital federal. Ali, naquele mesmo dia, foi celebrada a Santa Missa, como primeiro ato público da construção de Brasília, ficando claro para os filhos desta amada cidade e do nosso
país, o lugar do mistério eucarístico no coração do povo brasileiro e dos brasilienses.
05-jul-09
fonte: "O Povo de Deus - folha semanal da Arquidiocese de Brasília"
Cardeal José Freire Falcão
Arcebispo Emérito de Brasília
Mistério da fé. Assim é denominada pela Igreja a Eucaristia. O vocábulo mistério
evoca principalmente a ideia de profundidade e de obscuridade.
A Eucaristia é mistério de fé, porque este Pão não é, apenas, o símbolo
da presença do Senhor entre os seus, por sua mensagem e por sua graça. Este Pão é Cristo, como
Ele próprio afirmou "O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo" (cf Jo 6,51).Não é
um argumento humano que nos leva a aceitar esta presença do Senhor no pão eucarístico,mas somente a fé.
E porque Ele está presente realmente na Eucaristia, quem dela se alimenta já superou a morte. Já traz em si garantia
da sua vida que não passa. Porque quem come a sua carne e bebe o seu sangue tem a vida eterna (cf Jo 6, 54). Palavras
duras para quem não tem fé, mas fonte de vida para o cristão que se dá, atéo fim,
pela construção de um mundo de amor e solidariedade, de unidade e de paz.
Porque este Pão foi instituído para ser rompido, partilhado e comido pela criatura humana. E ao chegar às
mãos do discípulo de Jesus como alimento, nutre-o na difícil tarefa de construir um mundo em que todos
se sintam irmãos. Porque é o pão da vida descido do céu. Ao longo de três anos de
pregação do Reino de Deus, Jesus preparou os seus apóstolos para este mistério da fé.
Um dia, multiplicou os pães para saciar a fome do seu povo. E essa fração do pão já era o
anúncio da Eucaristia. Na véspera de sua Paixão, o gesto é repetido. Toma o pão, dá
graças, parte-o e diz: "Isto é meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).
Depois de ressuscitado, quando caía a tarde e o dia chegava ao fim, sentado à mesa, Ele
toma outra vez o pão, recita uma bênção, o parte e partilha. E os discípulos de Emaús
enxergam nele o Senhor. Hoje também este pão é rompido e dado aos discípulos. E no gesto de parti-lo,
eles descobrem nesse pão a presença de seu Senhor e Mestre.
Este pão é dividido e distribuído para que os discípulos de Jesus - de todos os povos e raças - se
reconheçam como irmãos. E sejam construtores de um mundo fraterno, em que o pão material, o pão do saber e
o pão da solidariedade sejam repartidos com todos. Porque quem come a sua carne e bebe o seu sangue permanece nele e
viverá por ele (Jo 6, 56 e 57). E sua vida é amor. Viver nele e dele é viver em fraternidade. Daí
as palavras de São Paulo:"Já que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só
corpo, visto que todos participamos desse único pão" (1 Cor 10,17). Alimentando-nos do pão eucarístico, unimo-nos estreitamente a ele e por ele aos nossos irmãos. E seremos,
na terra, construtores da família fraterna dos Filhos de Deus.
Não serão vãs estas palavras no mundo em que vivemos? Mundo dilacerado pelo ódio, por lutas
fratricidas, por profundas desigualdades sociais? Sim, se lhe faltar o testemunho heróico de cristãos, que não
temem servir os outros até o sacrifício de sua vida. Cristãos que se alimentam do "pão da vida". Alimento dos discípulos do Senhor, comprometidos com a transformação profunda das estruturas da sociedade para torná-las condizentes com as exigências do Evangelho. Cristãos que não se dobram ao mal que há na terra. Porque têm consciência de que
a Eucaristia não é o refugio dos fracos, de um misticismo alienante, mas o vigor dos construtores de uma sociedade
que seja a do prenúncio, embora longínquo, do mundo que há de vir.
23-jun-09
fonte: site XVI Congresso Eucarístico Nacional


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